segunda-feira, 6 de abril de 2015

O que é Hoodoo?

O Hoodoo, apesar apresentar semelhanças no nome, diferente do que muitos pensam, não é a mesma coisa que Voodoo. O voodoo é uma religião, possui sacerdotes, divindades, cantos e danças rituais e rituais de iniciação, o Hoodoo é uma pratica magica popular afro-americana, com umas de suas bases principais sendo a magia natural, a magia simpática ou seja semelhante atrai semelhante que em uso mágico se refere a atrair uma coisa que se deseja por uso das leis naturais e “sobrenaturais” com o auxilio da magia e da vontade assim como dos elementos naturais e as energias neles contidas, o folclore Europeu e grimórios medievais. Possui influencia dos africanos traficados e escravizados em terras Americanas, dos índios norte-americanos e dos imigrantes Europeus, e a atualmente compartilha de muitos elementos e conceitos do Espiritismo e Catolicismo. 

O Hoodoo sempre foi praticado por diferentes tipos de pessoas, com crenças distintas e orientações religiosas diversas,  e origens diversas. O Hoodoo é fácil de se praticar e pode ser praticado por qualquer pessoa, o Hoodoo é simples, natural e prático, fazendo uso de ervas, raízes, flores, pedras, conchas, resinas, águas, cristais, resto de animais e terras e outros itens facilmente encontrados na natureza, não é comum fazer sacrifício de animais no hoodoo, poderia até arriscar a dizer que não existe sacrifício de animais no Hoodoo, muitas dessas partes de animais são restos mortais encontrados pelas ruas, comprados em feiras especializadas, nunca se sacrifica um animal para retirar suas partes. O Hoodoo nos EUA também é conhecido pelo termo "Rootwork", que significa "Trabalho com Raízes", porque é muito comum o uso de ervas e raízes no Hoodoo, seja para criar remédios ou mesmo para uso em práticas feiticeiras. Um outro nome pelo qual o Hoodoo também é conhecido é "Conjure", não necessariamente no sentido de "conjurar espíritos" mas também no ato de conjurar o poder ou espírito elemental das ervas e raízes, o Axé dos elementos utilizados nos feitiços são conjurados são para uso do feiticeiro, para o benefício e auxilio do feiticeiro. 
O Hoodoo é fortemente influenciado pelo Animismo, trabalhando com a crença de que tudo possui energia vital o axé e que quando essas são energias combinadas e conjuradas, passam a então a ter grande poder mágico-espiritual. O Hoodoo não tem o foco em “magia negra”, ou prejudicar a ninguém ou efetuar maus tratos a os animais pelo contrário tem por objetivo melhorar a vida das pessoas, ajudar no amor, na prosperidade, na saúde etc. 
O Hoodoo é natural do Sul dos EUA, especialmente New Orleans, na Louisiana, e a área do Mississipi, porém se espalhou pela Califórnia e outros Estados também. Particularmente em New Orleans o Hoodoo e o Voodoo se misturam em alguns elementos por isso muitas pessoas acreditam que hoodoo é o mesmo que Hoodoo embora,  possuam semelhanças, justamente pelas mesclas feitas por praticantes do Hoodoo, é comum ver praticantes do Hoodoo fazerem feitiços chamando pelos Loas (deuses do Voodoo), não há nenhum problema pois o Hoodoo costuma absorver bem elementos variados de muitas culturas, é comum ver praticantes do Hoodoo utilizando, runas (alfabeto mágico de origem nórdica), anjos da cabala, deuses orientais etc. Vejo que com a era moderna, com o passar dos dias e com a expansão tecnológica o Hoodoo tem sido muito divulgado e com essa divulgação muito modificado ou adaptado, pois muitos elementos utilizados na feitiçaria Hoodoo não são encontrados em certas localidades, como diz o ditado quem não possui cão caça com gato, ou seja se for  preciso fazer um feitiço para amor e não possuo uma erva “X”, e conheço uma erva nativa da minha região que possui características e propriedades similares por que não usar? 
Não estou dizendo que você deve mudar a receita do feitiço ,pois se ele foi indicado de um determinado modo certamente ele tem funcionado daquele modo por diversas gerações, mas acredito que a magia é empírica e que certos procedimentos podem ser modificados sem fazer com que o ritual em si perca sua magia, sua energia ou seu axé, e acredito também que que devemos experimentar de tudo, pois somente modificando e experimentando podemos achar as fórmulas necessárias para o sucesso.

O mais poderoso livro de magia negra-O grande Grimório

A lenda do Grande Grimório é cercada de mistério e segredo. Estudiosos e místicos do mundo todo discutem a veracidade deste mito e buscam indícios de sua existência.
Existem inúmeros encantos e evocações atribuídas a este enigmático livro de magia, sendo que os todos os místicos que se utilizam destes encantos, afirmam conseguir resultados magníficos.
Reza a lenda que foi escrito em 1522 pela alta cúpula da magia, onde os ocultistas se reuniram e depois de um acordo surgiu o Grande Livro de Magia.  
Porém, esta data coincide, na verdade, com a data da cópia mais antiga achada do livro e não com a data em que o livro, realmente, foi escrito.
Segundo estudiosos do tema o Grande Grimório é um livro de magia negra que declina poderes inusitados ao usuário.
Após sua criação foi entregue a uma seita satanista, e foi transmitido de geração para geração, sempre mantido no mais alto grau de sigilo.
Atualmente um livro intitulado “Grande Grimório” pode ser encontrando em qualquer livraria especializada. Porém, esta obra literária sequer possui um encantamento contido no verdadeiro Grande Grimório, pois seus detentores nunca revelaram seu conteúdo a ninguém e este livro negro nunca chegou ao conhecimento do público.
Entretanto, há relatos, concretos, de que o livro foi capturado pela Igreja no início do século XIX e permanece na Biblioteca do Vaticano até hoje.
O que torna este livro tão especial e diferente dos demais é seu propósito sinistro: a convocação de Lúcifer ou Rofocale Lucifuge (o diabo), para que um pacto seja selado entre as partes. O Grande Grimório também contém toda a hierarquia maior de espíritos infernais. Manuscritos possivelmente escritos entre 1620 e 1650.
Outro boato que circunda está obra é o de que nem o mais alto líder satanista chegou esgotar o livro, pois sabia das conseqüências, ou seja, o resultado seria sempre um preço muito alto e cruel a pagar. Além, do fato de ter que lidar com Lúcifer que é o anjo caído mais perspicaz e cruel, capaz de ludibriar até o mais sábio dos homens.
Assim, o livro é valioso, não pelo máximo que pode fazer, mas sim pelo mínimo.  Além da convocação de demônios, ele contém um grande número de feitiços, fórmulas e segredos, que por si, são os piores que alguém pode encontrar. O livro apresentaria uma série de poderes místico, entretanto, todos feitiços e segredos só eram revelados mediante a um grande preço.


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Fechamento de corpo na Sexta-feira da paixão

O Ritual da Cura ou Fechamento de Corpo praticado em muitos candomblés na Sexta Feira da Paixão, que é uma data que os católicos dedicam à memória da crucificação de Jesus Cristo, tem origem nas mais antigas práticas bantos de calundus (formações religiosas anteriores à formação do candomblé modelado pelo Ketu na Bahia).
Algumas tradições Jeje Mahi, formações de candomblés Nagô Vodum, e Jeje Nagô principalmente, absorveram, em sua formação, do elemento banto presente no Recôncavo Baiano, tal tradição, umas casas como as de Candomblé de Angola realizam na Sexta Feira da Paixão e outras tradições segmentadas e formações não propriamente no dia santificado dos católicos, mas em etapa anterior ao sacrifício do bicho de 4 patas do rito de iniciação.

A “cura” é uma denominação para a “cruza ou cruz”, sinal recebido dos mercadores e traficantes de escravos para marcá-lo e distinguí-lo dentro de um grande número de indivíduos, principalmente assim agiam os mercadores e traficantes espanhóis, portugueses e brasileiros (muitos referidos ao longo da História como sendo portugueses). Tal símbolo era marcado nos braços, peito, costas dos escravos de forma a marcá-lo com sendo já batizados e portanto que já haviam recebido o nome pelo qual deviam ser conhecidos doravante, só então depois eram conduzidos ao Brasil em navios negreiros. Tal flagelo atendia a grandes encomendas de escravos principalmente para o árduo trabalho da lavoura no Ciclo da Cana de Açúcar.

Em fongbè (Língua Fon) a cruz é denominada kluzú (pronunciando-se curuzú, que dá nome a uma localidade em Salvador, Bahia). Para o indivíduo banto de forma geral e principalmente no Brasil ficou entendida como “cura”. Também no Brasil muitos índios entenderam o símbolo da cruz como curuçá ou cruçá a partir dos Jesuítas, passando assim a denominá-la.

O segredo do Fechamento de Corpo no Ritual da Cura está no que lhe é passado depois da marcação do sinal e o que é rezado naquele momento, diferindo os ingredientes passados e ingeridos e as rezas de acordo com o candomblé.

Durante o primeiro processo de iniciação, que normalmente tem a duração de 21 dias, são diversos os rituais que têm lugar, e pelos quais os Yaôs têm que passar para poderem receber o seu Orixá de forma íntegra.

São tomados diversos cuidados para que o iniciado possa de facto, dali para a frente estar munido do conhecimento necessário, mas também de defesas necessárias, uma vez que vai nascer para a sua “nova vida”.

Não se trata só de munir e proteger o espírito das defesas necessárias, mas também o seu corpo físico, e nesse âmbito, são feitas as chamadas Kuras.

As Curas são incisões feitas no corpo do Yaô, que por um lado representam o símbolo de cada tribo, como o símbolo de cada Ilê (casa ou terreiro), mas têm o objectivo de fechar o corpo do Yaô, protegendo-o de todo o tipo de influência negativas.

Para isso são feitas as incisões (o que chamamos de abrir) e nessas incisões é colocado o Atim (pó) de defesa para aquele Yaô (iniciado). O Atim tem uma composição base de diversas plantas e substâncias, mas o Atim utilizado para as Kuras, contêm também as ervas do Orixá daquele Yaô em quem ele vai ser aplicado.

Sabemos que em algumas casas a Kura pode também ser tomada como infusão de ervas, porém na maioria das Casas de Candomblé, as Kuras, que são de origem Africana, são feitas como incisões ou cortes, e nesse cortes são colocados pequenos punhados de Atim, para que esse Atim penetre no corpo e o proteja de males exteriores enviados contra a pessoa.

Normalmente, as Kuras são feitas no peito, dos dois lados, nas costas, também dos dois lados e nos braços; evitando assim que de frente, de costas ou no manuseio de qualquer coisa algo negativo possa entrar no corpo do Yaô.

Além dessas, na feitura do Santo, abre-se também o Farim, que é uma Kura no centro do Orí, do Yaô, que por um lado impede também que algo de mal possa entrar na cabeça do Yaô, mas que facilita também a ligação com o seu Orixá. É comum também fazer-se na sola dos pés para evitar que o pisar de algo negativo possa interferir com o Yaô, havendo ainda, alguns zeladores que fazem uma Kura na língua dos seus Yaôs, para que os mesmos não comam comidas “trabalhadas”, e caso as comam, para que essas comidas não lhe façam mal.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O oráculo do pêndulo

O pêndulo é uma das formas mais simples, diretas e eficazes de obter uma resposta imediata para as suas questões. Aprenda a trabalhar com ele pois, se o trouxer sempre consigo, terá na sua mão a possibilidade de encontrar resposta para as suas dúvidas.

Como usar o Pêndulo?

1º Passo - Perceber o que é um pêndulo

O pêndulo é um objeto que consiste num cristal, metal ou madeira, suspenso por um fio, sendo usado como método de adivinhação ou a nível terapêutico.

Para obter respostas mais fidedignas e rápidas adquira um pêndulo de metal, o qual poderá (ou não) conter um cristal no seu interior.
O pêndulo é usado para entrar em contacto com os nossos guias (mensageiros de Luz), de forma a obter respostas às nossas questões, ou seja, é a ponte entre a nossa mente e o nosso espírito.


2º Passo - Saber como funciona

O seu uso é muito simples, basta formularmos a pergunta mentalmente cuja resposta possa ser «Sim» ou «Não». Feita a pergunta ser-nos-á data a resposta através do movimento do pêndulo.
De forma a não influenciar a resposta, sempre que fizer a pergunta evite tentar adivinhar a sua resposta, pois poderá obter uma resposta que não é verdadeira.
Existem pessoas muito intuitivas (que possuem a chamada clarividência), tendo a fantástica capacidade de obter a resposta à sua pergunta antes mesmo do pêndulo se manifestar. No entanto não se assuste se isto lhe acontecer, significa que tem uma excelente capacidade de adivinhação.
É importante criar um bom ambiente para usá-lo, pôr uma música ambiente a tocar, queimar incenso e estar num sítio calmo.


3º Passo – Preparar-se para colocar a questão ao pêndulo

Sente-se confortavelmente com as pernas direitas. Faça uma pequena meditação de 5 minutos de modo a relaxar e a concentrar-se apenas na sua consulta.

Segure o pêndulo entre o polegar e indicador de forma a não o deixar cair, mas não aperte em demasia para permitir que a energia flua.


4º Passo - Definir o significado de cada resposta

Definir Sim, Não, Talvez e Sem resposta:

O primeiro passo que deverá dar consiste em definir o movimento do pêndulo para cada resposta possível. Esta definição é feita somente na primeira utilização, e será válida para a utilização de qualquer pêndulo que use, independentemente de ser seu ou de outra pessoa.

Para definir as suas respostas, pegue no pêndulo de acordo com o que já foi explicado e diga:
1 – Por favor, define-me o movimento para uma resposta sim;
2 - Por favor, define-me o movimento para uma resposta não;
3 - Por favor, define-me o movimento para quando uma resposta é incerta ou quando a pergunta está mal formulada.
4 - Por favor, define-me o movimento para uma resposta da qual não devo ter conhecimento.


5º Passo - Saber formular corretamente as questões

Formulação correta das questões

É importante respeitar algumas regras básicas:
- Formular a pergunta de forma clara e objetiva (Ex: “Será que o João volta para mim?”);
- Nunca fazer duas perguntas numa só frase (Ex: “Devo continuar no mesmo emprego ou devo mudar para outro?”);
- Formular a questão sempre pela positiva, sem utilizar a palavra não. (Ex: perguntar “Devo telefonar ao João”? Em vez de: “Não devo telefonar ao João?”).
- Nunca colocar questões cuja resposta já é conhecida, exceto se for na fase de treino (no início, para adquirir confiança na sua capacidade de interpretação do pêndulo. (Ex: “Tenho 25 anos?”).

6º Passo – Saber que perguntas fazer antes de iniciar a consulta

Perguntas a fazer para iniciar a consulta:

1) Tenho autorização dos meus guias para usar o pêndulo?
2) Existe algum ser de pouca luz presente? (se a resposta for positiva, pedir aos seus guias para afastarem esse ser de pouca luz, e voltar a fazer a mesma pergunta.).
3) Vai ser-me respondida a verdade e somente a verdade pelo poder de Deus e pelo Poder Cósmico?
4) Perguntar se pode fazer a pergunta sobre esse assunto e/ou pessoa.
5) Deve ir questionando se está a obter respostas verdadeiras às suas questões. (caso a resposta seja incerta ou negativa, não volte a perguntar sobre esse assunto, pois o Universo ainda não tem uma resposta concreta para lhe dar.).
- Agradecer a presença dos guias.

7º Passo - Saber o que deve evitar

Advertências:

- Não consulte o pêndulo se está cansado ou num estado emocional alterado;
- Não usar o pêndulo num ambiente perturbador.
- Manter sempre um estado de imparcialidade e interrogação mental em relação ao tema

Ìyàmì-A senhora do pássaro da noite

Estas senhoras conhecidas por Ìyàmì, ou seja, são seres muito antigos da mitologia africana. Segundo as lendas, foi graças a uma oferenda feita pela mãe de Ode, a elas, que ele conseguiu matar com sua única flecha, o pavoroso pássaro que assombrava determinado reino.

Sua forma mais antiga e mais temida é Osorongá, antiga feiticeira, que da mesma forma que suas irmãs, ABOTÔ, e AIÁ, possuem cabeça, pés e asas de pássaro, e corpo de mulher. Moram nas maiores profundezas dos recantos das matas em cima de árvores. Jamais se socializam, não suportam que as chamemos em vão, a não ser se desejamos guerrear contra alguém.
São mães de Egún, e as Òsúns mais antigas que existem. O certo é que não devemos pronunciar seus nomes sem um motivo justo ou mesmo proferirmos seu Òrókí, palavras litúrgicas, sagradas, que tem o poder de invocá-las independente do local que estejamos.
Também não devemos pronunciar seus nomes, próximos de alguns elementos da natureza, como a terra vermelha, por exemplo. Outro fator importante, é que antes de solicitarmos algum favor delas, devemos estar muito ciente do que pedimos, pois que não poderemos mais tarde nos arrepender e voltarmos atrás.

Zeladores mais antigos ensinavam que não se deviam cultuar esses seres em residências onde houvesse crianças. Muitos deles tinham verdadeiro pavor até mesmo em proferir seus nomes. Isso era tabu. Seu culto sempre foi um dos mais secretos no Candomblé e sua cerimônia de padê, somente é presenciado pelos iniciados na casa e assim mesmo, que tenham certo tempo de feitos. Um abiã, (iniciando), um cliente, jamais presencia esta cerimônia.

 Muitos acreditam que sem a preparação do encantamento do Òrìsá em nossas cabeças, elas podem até mesmo nos matar. São seres de poder imenso e, que uma vez invocados nada nem ninguém poderá subjugá-las. Em sua cerimônia de padê, geralmente as mulheres é que participam, assim mesmo, dependendo da qualidade de seu santo.

Uma pessoa de Òsàlá, por exemplo, participa da cerimônia, mas tão somente como observador e não como parte ativa. Suas oferendas são entregues em primeiro lugar, para depois então agradarmos as demais entidades, antes de iniciarmos os festejos de um terreiro de Candomblé.
O que se sabe, elas não possuem filhos, ou seja, não se raspa uma pessoa para Ìyàmì, se por ventura existe alguém que seja seu filho, é necessário que o sacerdote recorra a Ifá, e se aconselhe sobre qual santo deve ser encantado, dado que não é qualquer outro santo que pode ser feito em seu lugar.

Somente algumas qualidades poderiam substituir as mesmas. Se precisarmos de um favor delas, devemos nos preparar muito antes, afinal é seres muito antigos, desconhecem muitas coisas, porém, conhecem segredos que jamais poderíamos imaginar que existem. Quando provocadas, causam terrores inimagináveis na vida de quem às provocou.
Antigos zeladores, elas seriam as Bruxas do Candomblé, e como tais, com muito conhecimento tanto para o bem como para o mal. Dado a isso, esses antigos sacerdotes sempre buscavam alternativas diversas antes de invocarem seus nomes e sua presença. Também nos ensinavam que: uma pessoa, sem o devido preparo e conhecimento necessário, jamais deve se atrever a invocar essas poderosas feiticeiras.

As Senhoras dos Pássaros da Noite quando se pronuncia o nome de Ìyàmì Òsòróngá, quem estiver sentado deve levantar, quem estiver de pé fará uma reverência, pois se trata de temível Òrìsá, a quem se deve apreço e encantamento. ((texto de Rita de Cássia) Pesquisados entre os livros, Jorge Amado) Huilhan Bascom. Ìyàmì ÒSÒRÒNGÀ é a síntese do poder feminino, claramente manifesto na possibilidade de gerar filhos e, numa noção mais ampla, de povoar o mundo.

Quando os Yorùbás dizem “nossas mães queridas” para se referirem às Ìyá Mi, tentam, na verdade, apaziguar os poderes terríveis dessa entidade. Donas de um àse tão poderoso quanto o de qualquer Òrìsá, as Ìyàmì tiveram seu culto difundido por sociedades secretas de mulheres e são as grandes homenageadas do famoso festival Gèlèdè, na Nigéria, realizado entre os meses de março e maio, que antecedem o início das chuvas do país, remetendo imediatamente para um culto relacionado à fertilidade. Poder procriador tornou-se conhecidas como às senhoras dos pássaros e sua fama de grandes feiticeiras as associou à escuridão da noite; por isso também são chamadas de Eleyé e as corujas são seus maiores símbolos.

A sua relação mais evidente é com o poder genital feminino, que é o aspecto que mais aproxima a mulher da natureza, ou seja, dos acontecimentos que fogem à explicação e ao controle humano. Toda mulher é poderosa porque guarda um pouco da essência das Ìyàmì; a capacidade de gerar filhos, expressa nos órgãos genitais femininos, sempre assustou os homens e as cantigas entoadas durante o festival Gèlèdè fazem alusão a esse terrível poder que não pertence apenas às Ìyàmì, mas a qualquer mulher Mãe destruidora, hoje te glorifico:

O velho pássaro não se aqueceu no fogo. O velho pássaro doente não se aqueceu ao sol. Algo secreto foi escondido na casa da Mãe. Honras à minha Mãe! Mãe cuja vagina atemoriza a todas as Mães cujos pêlos púbicos se enroscam em nós. Mãe que arma uma cilada arma uma cilada. Mãe que tem potes de comida em casa. As mães são compreendidas como a origem da humanidade e seu grande poder reside na decisão que tomar sobre a vida de seus filhos. É a mãe que decide se o filho deve ou não nascer e, quando ele nascer, ainda decide se ele deve viver.

A mulher, especialmente nas sociedades antigas, tinha inúmeros recursos para interromper uma gravidez. E, até os primeiros anos de vida, uma criança depende totalmente de sua mãe; se faltarem seus cuidados a criança não vinga. Em síntese, todo ser humano deve a vida a uma mulher. Se todas as mulheres juntas decidissem não mais engravidar, a humanidade estaria fadada a desaparecer. Esse é o poder de Ìyàmì: mostrar que todas as mulheres juntas decidem sobre o destino dos homens. Mãe todo-poderosa, mãe do pássaro da noite.

Grande mãe com quem não ousamos coabitar Grande mãe cujo corpo não ousa olhar. Mãe de belezas secretas que esvazia a taça Que fala grosso como homem, Grande, muito grande, no topo da árvore Iroko, Mãe que sobe alto e olha para a terra Mãe que mata o marido, mas dele tem pena. Ìyá Mi é a sacralização da figura materna, por isso seu culto é envolvido por tantos tabus. Seu grande poder se deve ao fato de guardar o segredo da criação. Tudo que é redondo remete ao ventre e, por conseqüência, as Ìyá Mi.

O poder das grandes mães é expresso entre os Òrìsás por Òsún, Yemonjá e Nanã Burukun, mas o poder de Ìyàmì é manifesto em toda mulher, que, não por acaso, em quase todas as culturas, é considerada tabu. As denominações de Ìyàmì expressam suas características terríveis e mais perigosas e por essa razão seus nomes nunca devem ser pronunciados; mas quando se disser um de seus nomes, todos devem fazer reverencias especiais para aplacar a ira das grandes Mães e, principalmente, para afugentar a morte.

As feiticeiras mais temidas entre os Yorùbás e nos candomblés do Brasil são as Àjé e, para referir-se à elas sem correr nenhum risco, diga apenas Eleyé, Dona do Pássaro. O aspecto mais aterrador das Ìyàmì e o seu principal nome, com o qual se tornou conhecida nos terreiros, é Osorongá, uma bruxa terrível que se transforma no pássaro de mesmo nome e rompe a escuridão da noite com seu grito assustador. As Ìyàmì são as senhoras da vida, mas o corolário fundamental da vida é a morte.
Quando devidamente cultuadas, manifestam-se apenas em seu aspecto benfazejo, é o grande ventre que povoa o mundo. Não podem, porém, ser esquecidas; nesse caso lançam todo tipo de maldição e tornam-se senhoras da morte. O lado bom de Ìyàmì é expresso em divindades de grande fundamento, como Apàökan, a dona da jaqueira, a verdadeira mãe de Òssóssí Dizem que o deus caçador encontrou mel aos pés da jaqueira e em torno dessa árvore formou-se a cidade de Ketú.

Os assentamentos de Ìyàmì ficam juntos as grandes árvores como a jaqueira e geralmente são enterrados, mostrando a sua relação com os ancestrais, sendo também uma nítida representação do ventre. As Ìyàmì, juntamente com Èsú e os ancestrais. É evocado nos ritos de Ipadé, um complexo ritual que, entre outras coisas, ratifica a grande realidade do poder feminino na hierarquia do Candomblé, denotando que as grandes mães é que detém os segredos do culto, pois um dia, quando deixarem à vida, integrarão o corpo das Ìyàmì, que são, na verdade, as mulheres ancestrais. A grande mãe feiticeira.

O grande segredo de todas as nações que envolvem Òrìsá, sabedoria encantamento. Aprendam sobre a grande mãe só assim começaram a entender os grandes mistérios que envolvem o candomblé, a magia que encanta o feitiço que apavora a realidade de cada ser humano espelhados no mistério das Ìyàmì.

As Senhoras dos Pássaros da Noite quando se pronuncia o nome de Ìyàmì Òsòròngá, quem estiver sentado deve levantar, quem estiver de pé fará uma reverência, pois se trata de temível Òrìsá, a quem se deve apreço e acatamento. ((texto de Rita de Cássia) Pesquisados entre os livros, Jorge Amado) Huilhan Bascom. Ìyàmì ÒSÒRÒNGÀ é a síntese do poder feminino, claramente manifesto na possibilidade de gerar filhos e, numa noção mais ampla, de povoar o mundo.
Quando os Yorùbás dizem “nossas mães queridas” para se referirem às Ìyàmì, tentam, na verdade, apaziguar os poderes terríveis dessa entidade. Donas de um àse tão poderoso quanto o de qualquer Òrìsá, as Ìyàmì tiveram seu culto difundido por sociedades secretas de mulheres e são as grandes homenageadas do famoso festival Gèlèdè, na Nigéria, realizado entre os meses de março e maio, que antecedem o início das chuvas do país, remetendo imediatamente para um culto relacionado à fertilidade.

Poder procriador tornou-se conhecidas como às senhoras dos pássaros e sua fama de grandes feiticeiras as associou à escuridão da noite; por isso também são chamadas de Eleyé e as corujas são seus maiores símbolos. A sua relação mais evidente é com o poder genital feminino, que é o aspecto que mais aproxima a mulher da natureza, ou seja, dos acontecimentos que fogem à explicação e ao controle humano.

Toda mulher é poderosa porque guarda um pouco da essência das Ìyàmì; a capacidade de gerar filhos, expressa nos órgãos genitais femininos, sempre assustou os homens e as cantigas entoadas durante o festival Gèlèdè fazem alusão a esse terrível poder – que não pertence apenas às Ìyàmì, mas a qualquer mulher Mãe destruidora, hoje te glorifico: O velho pássaro não se aqueceu no fogo. O velho pássaro doente não se aqueceu ao sol. Algo secreto foi escondido na casa da Mãe… Honras à minha Mãe! Mãe cuja vagina atemoriza a todas as Mães cujos pêlos pubianos se enroscam em nós. Mãe que arma uma cilada.

Mãe que tem potes de comida em casa. As mães são compreendidas como a origem da humanidade e seu grande poder reside na decisão que tomar sobre a vida de seus filhos. É a mãe que decide se o filho deve ou não nascer e, quando ele nascer, ainda decide se ele deve viver. A mulher, especialmente nas sociedades antigas, tinha inúmeros recursos para interromper uma gravidez e, até os primeiros anos de vida, uma criança depende totalmente de sua mãe; se faltarem seus cuidados a criança não vinga.

Em síntese, todo ser humano deve a vida a uma mulher. Se todas as mulheres juntas decidissem não mais engravidar, a humanidade estaria fadada a desaparecer. Esse é o poder de Ìyàmì: mostrar que todas as mulheres juntas decidem sobre o destino dos homens. Mãe todo-poderosa, mãe do pássaro da noite. Grande mãe com quem não ousamos coabitar Grande mãe cujo corpo não ousa olhar. Mãe de belezas secretas que esvazia a taça.

Que fala grosso como homem, Grande, muito grande, no topo da árvore Iroko, Mãe que sobe alto e olha para a terra Mãe que mata o marido, mas dele tem pena. Ìyàmì é a sacralização da figura materna, por isso seu culto é envolvido por tantos tabus. Seu grande poder se deve ao fato de guardar o segredo da criação. Tudo que é redondo remete ao ventre e, por conseqüência, as Ìyàmì.

O poder das grandes mães é expresso entre os Òrìsás por Òsún, Yemonjá e Nanã Burukun, mas o poder de Ìyàmì é manifesto em toda mulher, que, não por acaso, em quase todas as culturas, é considerada tabu. As denominações de Ìyàmì expressam suas características terríveis e mais perigosas e por essa razão seus nomes nunca devem ser pronunciados; mas quando se disser um de seus nomes, todos devem fazer reverencias especiais para aplacar a ira das grandes Mães e, principalmente, para afugentar a morte.

As feiticeiras mais temidas entre os Yorùbás e nos candomblés do Brasil são as Àjé e, para referir-se a elas sem correr nenhum risco, diga apenas Eleyé, Dona do Pássaro. O aspecto mais aterrador das Ìyàmì e o seu principal nome, com o qual se tornou conhecida nos terreiros, é ÒSÒRÒNGÀ, uma bruxa terrível que se transforma no pássaro de mesmo nome e rompe a escuridão da noite com seu grito assustador.
As Ìyàmì são as senhoras da vida, mas o corolário fundamental da vida é a morte. Quando devidamente cultuadas, manifestam-se apenas em seu aspecto benfazejo, é o grande ventre que povoa o mundo. Não podem, porém, ser esquecidas; nesse caso lançam todo tipo de maldição e tornam-se senhoras da morte. O lado bom de Ìyàmì é expresso em divindades de grande fundamento, como Apàökan, a dona da jaqueira, a verdadeira mãe de Òssóssí Dizem que o deus caçador encontrou mel aos pés da jaqueira e em torno dessa árvore formou-se a cidade de Ketú.

Os assentamentos de Ìyàmì ficam juntos as grandes árvores como a jaqueira e geralmente são enterrados, mostrando a sua relação com os ancestrais, sendo também uma nítida representação do ventre. As Ìyàmì, juntamente com Èsu e os ancestrais. É evocado nos ritos de Ipadé, um complexo ritual que, entre outras coisas, ratifica a grande realidade do poder feminino na hierarquia do Candomblé, denotando que as grandes mães é que detém os segredos do culto, pois um dia, quando deixarem à vida, integrarão o corpo das Ìyàmì, que são, na verdade, as mulheres ancestrais. A grande mãe feiticeira.

O grande segredo de todas as nações que envolvem Òrìsá, sabedoria encantamento. Aprendam sobre a grande mãe só assim começaram a entender os grandes mistérios que envolvem o candomblé, a magia que encanta o feitiço que apavora a realidade de cada ser humano espelhados no mistério das Ìyàmì.


Assentamento de Ìyàmì não é feito individual (para uma determinada pessoa) e sim para uma coletividade e só quem pode cuidar deste assentamento são mulheres, não se raspa ninguém para Ìyàmì a qual não se manifesta em nenhuma pessoa. Ìyàmì pertence à Nação Ketú e a mais nenhuma Nação.

Um breve esclarecimento sobre egun


Os mortos (ikús) ou espíritos (eguns) que nos rodeiam deve ser tratados e satisfeitos, para que eles sejam respeitados, tanto quanto o santos (orixás). A reverência aos antepassados ​​é um dos pilares das religiões africanas.

Na religião iorubá o egun antecipa-se ao santo (Iku ocha Lobi), antes deve lhe chamar e pedir permissão (moyugbar) e saudar os orixás em iguais condições aos eguns. Isso ocorre porque todos os seres vivos eram originalmente orixás como santos católicos e depois da morte é dado o título de santo que soube trazer a vida aqui na terra, como no caso do Orixá Xangô que foi o quarto rei de Oyó (Ile Ife) atual Nigéria.

Os eguns comer antes Exú e separado dos orixás. Em certas cerimônias estão oferecendo uma vela (Atan), coco (obi) em nove pedaços onde o mesmo se encontra, água fresca  (omi ), aguardente (otin), café (omi tutu), tabaco (acha), pimenta da guiné (ataré), e um giz africano (Efun) é usado. Esta oferta está no chão do lado de fora da casa,ou ausência de quintal em um canto e está disposta dentro de um círculo ou retângulo (atena) desenhada em escala dentro do qual os sinais e as assinaturas são desenhados.
A cerimônia começa com a correspondente Moyugba e declaração do significado da oferta. Isso pode ser feito enquanto você está dando coco fresco para os mortos que é feito em pequenos pedaços que são jogadas na figura desenhada no chão dizendo alfaba Iku, alafaba ano ........... .. Esta oferta é obrigatória quando vai sacrificar um animal de duas ou quatro pernas.

No final será solicitado a egum ou eguns se eles receberam a oferta, se foi dada de acordo e onde os resíduos serão levados após. Isso será feito com quatro pedaços de coco fresco de acordo com as regras para a leitura de coco.
Outros religiosos argumentam que os mortos não deve comer dentro das casas e que o seu alimento deve ser servido no pátio e longe da casa. Para os mortos pode oferecer-lhes água, pão, bebida, tabaco e alimentos cozidos sem sal que pode ser o alimento preferido do falecido se a oferta é para uma dada morto. Tudo isto deve está em um prato e se deve acender velas; no dia seguinte faça-se Moyugba ao egun para determinar onde será despachado suas oferendas,isso pode ser na selva ou montanha (Nigue) no lixo (Ikun), em uma colina (oké ile), no rio ( Ilê Oxum), e assim por diante.

Aqueles presentes nestas cerimônias com os mortos devem ser marcados com uma cruz na testa para proteção. As flores são um presente que algumas iniciantes (olochas) usam, porque a essência é um fluido espiritual explícita no oddun Juanjuan Irete.
Quando a alma de um defunto, apesar de ser bem atendido, oferece sua presença continuamente, Oya-Yansã (proprietário e zelador do cemitério) determina que um incêndio é feito no quintal porque o fogo afugenta os mortos e, embora não os queimam.

Quimbandas: Os Sacerdotes da Cura e dos Espíritos da Noite

 Quimbanda é uma palavra que designa uma prática religiosa e um sacerdócio. Pertence a língua da nação Bantu, que engloba mais de 400 etnias de povos proveniente do Oeste e Sudoeste da África, habitantes de um vasto território: Congo, Angola, Zâmbia, Gabão, Luanda, Ruanda e Tanzânia [DOS VENTOS, Mario. Na Gira do Exu: The Brazilian Cult of Quimbanda]. KI significa conhecimento; MBANDA, é poder de cura. O termo relaciona-se também com a palavra MA-KIUMBA ou, Espíritos da Noite. 
 Quimbanda é, portanto, uma religião e título conferido aos sacerdotes desta religião, que são intermediários entre os os homens e Makiumbas, os Espíritos da Noite, subordinados ao deus Calunga, Senhor do Reino dos Mortos. Embora os puristas umbandistas e os quimbandistas hipócritas neguem é evidente que o termo Macumba deriva de MA-KIUMBA, entendido hoje, no Brasil, como designativo dos trabalhos, os Ebós ou seja, as oferendas destinadas aos espíritos aos quais para que descubram a causa e a solução dos mais variados embaraços mundanos: doenças, inimigos, morte na família, problemas financeiros, decepções amorosas etc..
 Na África, o Quimbanda era escolhido por um espírito e a partir daí passava por um período de aprendizado, uma Iniciação, que começava com um isolamento na floresta. Entre os Zulus, o processo de escolha do Quimbanda é chamado Thwasa ou Intwaso. Sabia-se que alguém tinha sido escolhido para ser um Quimbanda quando esse alguém apresentava determinados sintomas: moléstias, sonhos premonitórios, visões, distúrbios mentais que somente eram curados com uma série de rituais. Muitos Quimbandas tornam-se homossexuais assumindo aparência, trabalhos e nomes femininos.
 O quimbanda, versado na ciência da Umbanda - arte da cura e da adivinhação - é um ritualista que adivinha acontecimentos futuros e desvenda mistérios dos passado. É ele que, interpretando os sinais que vêm do mundo espiritual, sabe prescrever os remédios para as doenças e os conjuros para os malefícios. 
 Existem duas maneiras para uma pessoa se tornar um quimbanda.
 A primeira delas é ter um quimbanda como antepassado e dele receber a umbanda no sentido de conhecimento. Por meio de um sonho, o antepassado mostra ao sucessor o campo, a floresta [muxito], onde estão os remédios; indica as encruzilhadas, os lugares exatos para cada um dos tratamentos... Outra forma de se tornar quimbanda é trabalhando com um deles na condição de cabanda, auxiliar. Contudo, como os mestres viventes escondem alguns segredos, a umbanda recebida em sonho é sempre mais forte. São tradições da Quimbanda originalmente africana:
 Muzambo: É o método de adivinhação tradicional [na quimbanda, originário da África]. Para proceder ao Muzambo, praticado sobre uma esteira, são necessários certos instrumentos: o muxacato, tabuinha feita de um pedaço de árvore mafumeira [ocá] e o mona, uma pequena haste de madeira. Quando o mona desliza suavemente na tábua, significa "não"; quando emperra, a resposta é "sim". Os dois objetos são previamente consagrados, amarrados e postos em contato com terra de sepultura e raízes de mandioca e gengibre. O vidente também utiliza a samba, bolsa de utensílios rituais, como a pemba, pó ou bastão, com o qual traça símbolos místicos. O ritual divinatório é realizado fora da casa, num quintal, com o quimbanda, o consulente e outros presentes sentados na esteira, no chão com exceção do quimbanda, que ocupa um banquinho.
Quando o pedido é um remédio [xico], o consulente deverá levar um ovo, pedras de pemba branca branca e ucusso [pemba vermelha], folhas de dormideira e um graveto demubilo [Adenia lobata], um ramo de mussequenha [cucurbitácea] e uma garrafa de vinho de caju [maluvo]. O quimbanda utiliza, nesses casos, o "prato das almas", onde será derramado o vinho de caju, e mais, cerveja de milho [quitoto], vinho português e água. Ao chamar o espírito, é entoada uma cantiga de invocação acompanhada de palmas. Neste ritual, o consulente é que entra em transe, e a autenticidade do transe é verificada pelo quimbanda, que passa uma agulha e uma brasa a ardente na língua do paciente. Se não houver lesão, o transe é autêntico...
 Xinguilamento: É a comunicação com os espíritos por intermédio do transe. Quando um espírito está querendo se manifestar por meio de uma pessoa, os familiares, percebendo os sintomas, deverão imediatamente chamar um quimbanda [LOPES, Nei. Kibátu: O Livro do Saber e do Espírito Negro-Africanos, p 62].
 Kiumbas: Tal como na Umbanda, os praticantes da Quimbanda, apesar de não poderem negar a indiferença ética dos Exus, e justificam este fato como sendo um elemento característico da religiosidade africana e uma condição própria da natureza, onde a existência dos opostos são uma condição essencial de equilíbrio, no caso, o bem e o mal.
 Ainda assim, os quimbandeiros também vestem a capa de bons moços e afirmam que seu trabalho com os Exus é dos mais bem intencionados.  Os equívocos eventuais ficam por conta da interferência maliciosa de espíritos chamados Kiumbas, estes sim, malévolos, obsessores, totalmente dedicados a perturbar a vida das pessoas, inclusive os quimbandeiros. Os Kiumbas podem "baixar" nas Giras da Quimbanda dissimulando sua verdadeira natureza, fazendo-se passar por Exus bem intencionados e, não raro, enganam os praticantes. O trabalho com estes espíritos das trevas é chamado Kiumbanda.
 No Brasil, os africanos encontraram muitas semelhanças entre suas crenças e as crenças dos índios, como os Tenetchera [ou Tenetehara, conhecidos como Guajajaras no Maranhão e Tembé, no Pará pertencentes ao tronco Tupi-Guarani], por exemplo [DOS VENTOS, Mario. Na Gira do Exu: The Brazilian Cult of Quimbanda. [Trad. Ligia Cabús]. , p 24]. Uso de tabaco, o fumo nos ritos atuais é uma herança indígena. Entre os Bantu bem com entre os índios brasileiros, cada espírito tem sua própria música, sua batida de tambor, dança, comida e bebida favoritas [DOS VENTOS, Mario. Na Gira do Exu: The Brazilian Cult of Quimbanda. [Trad. Ligia Cabús]. , p 24].